
Por anos, quanto mais tela um carro tinha no painel, mais ?tecnológico? ele parecia. Telões horizontais, comandos por gesto, menus infinitos na central multimídia? tudo isso virou sinônimo de carro moderno. Agora, o movimento começou a virar ao contrário: montadoras estão sendo pressionadas a trazer de volta os botões físicos ? e não é por nostalgia, e sim por segurança viária.
Esse efeito dominó tem um protagonista: o Euro NCAP, o consórcio europeu responsável por uma das classificações de segurança mais respeitadas do mundo. A partir dos novos protocolos de 2026, carros que dependerem demais de telas e esconderem funções básicas em menus poderão perder pontos importantes na nota de segurança.
E isso pode mudar totalmente o jeito como os painéis de carros são projetados ? inclusive nos modelos vendidos no Brasil.

Nos últimos 10?15 anos, quase todas as marcas embarcaram na corrida dos painéis digitais:
A promessa era clara: mais tecnologia, mais conectividade, mais ?carro do futuro?. Só que um detalhe ficou de lado: o cérebro humano não evolui na mesma velocidade que as telas.
Relatórios da Comissão Europeia e estudos de ergonomia mostram que distração ao volante está ligada a até 25% dos acidentes, e interfaces confusas são uma parte importante desse problema.
Quando você precisa tirar os olhos da estrada por vários segundos para achar a função de desembaçador ou o ajuste de temperatura, a chance de colisão aumenta ? muito.

O Euro NCAP anunciou um pacote de protocolos para 2026 especificamente voltado a riscos modernos, como distração por telas e interfaces mal projetadas.
Entre os pontos mais importantes:
Para alcançar as cobiçadas 5 estrelas de segurança, o carro não pode depender apenas de touchscreen para comandos críticos. A exigência é que funções básicas tenham controle físico separado, como:
Se a montadora ?esconde? essas funções em um menu de tela, o modelo perde pontos no novo protocolo de ?General Vehicle Controls?, focado em ergonomia e interação homem?máquina.
O ar-condicionado até pode ser controlado via central multimídia, desde que os ícones e controles principais fiquem visíveis o tempo todo, sem exigir navegar por vários menus para mexer em temperatura, ventilação ou desembaçador. Caso contrário, vem desconto na pontuação também.
Outro ponto dos novos protocolos: velocidade, luzes de alerta, status dos sistemas de assistência (ADAS) e avisos importantes devem ficar no campo de visão direto do motorista, seja no painel de instrumentos ou em um head-up display. Confiar apenas na tela central, deslocada para o lado, passa a ser mal avaliado.
Nos comandos por touchscreen que permanecerem, o Euro NCAP passa a avaliar:
A ideia é reduzir o risco de o motorista tocar no ícone errado ou ter de mirar com muita precisão enquanto dirige.
Essa mudança não veio do nada. Há uma pilha de estudos mostrando que a era do ?tudo na tela? foi longe demais.
A revista sueca Vi Bilägare colocou 11 carros modernos, cheios de tela, lado a lado com um ?dinossauro? da ergonomia: um Volvo V70 de cerca de 20 anos, com painel lotado de botões físicos.
Os voluntários dirigiam a 110 km/h em uma pista fechada e tinham que executar tarefas comuns, como:
Resultado:
Ou seja: mexer na tela desvia a atenção da estrada por uma distância equivalente a vários quarteirões.
Estudos em simuladores de direção e em estrada reforçam o recado:
Resumindo: a ciência está ao lado dos botões físicos.

A pressão não vem só de reguladores; vem também dos motoristas.
Pesquisas de satisfação mostram queda na aprovação das interfaces de carros novos e aumento das reclamações sobre comandos confusos e telas ?burrocráticas?.
Diversas montadoras já anunciaram mudanças:
A tendência agora é clara: um híbrido entre o melhor das telas e o melhor dos botões.

Mesmo que o Euro NCAP seja europeu, suas notas têm impacto global. Marcas costumam usar o selo de 5 estrelas como argumento de venda, e plataformas globais de veículos tendem a seguir um padrão de projeto.
Na prática, isso pode significar que:
Se você está pesquisando carro novo com boa segurança no trânsito, vale observar:

Enquanto o debate sobre telas e botões acontece dentro dos automóveis, há um outro movimento acontecendo fora deles, especialmente no Brasil: o crescimento das motos por aplicativo como alternativa de mobilidade.
A categoria 99Moto, por exemplo, vem se destacando entre pessoas que buscam deslocamentos curtos com menor tempo de espera. Pesquisas da própria empresa mostram que as mulheres são hoje as que mais utilizam a modalidade, muitas vezes para evitar caminhar por longos trechos em áreas pouco movimentadas ou esperar sozinhas em pontos de ônibus.
Dados divulgados pela 99 indicam que:
Ou seja, enquanto dentro dos carros discutimos botões físicos vs. telas, fora deles a conversa é sobre rotas mais seguras, menor exposição e alternativas de mobilidade mais adequadas à realidade das cidades brasileiras.

A ideia de que ?mais tela = mais moderno? está ficando ultrapassada. O que os dados mostram é que:
Para quem se preocupa com segurança no trânsito, carros seguros para família e tecnologia automotiva sem perder a usabilidade, a palavra de ordem agora é: ergonomia inteligente.
Na hora de comprar, não olhe só para o tamanho da tela. Pergunte a si mesmo:
?Se eu precisar ligar o limpador, mudar a temperatura ou dar o pisca-alerta no meio da chuva, consigo fazer isso em 2 segundos, sem pensar??
Se a resposta for ?não?, talvez seja melhor dizer ?adeus, telas demais? e dar boas-vindas a algo muito simples ? e poderoso ?: o bom e velho botão físico.
O que você acha dessa mudança?
Você investe em alguma das montadoras de veículos?