
1. Panorama dos resultados
O Banco do Brasil (BB) divulgou, no dia 12 de novembro de 2025, seu balanço referente ao 3º trimestre (3T25). Os principais destaques:
- Lucro líquido ajustado de R$ 3,785 bilhões, queda de aproximadamente 60,2% em relação ao mesmo período de 2024.
- Lucro contábil (após ajustes) de cerca de R$ 3,028 bilhões, apresentando retração de aproximadamente 66% frente ao 3T24.
- Retorno sobre o patrimônio líquido (RSPL/ROE) ficou em 8,4%, frente a 21,1% no 3T24.
- Por outro lado, a carteira de crédito ampliada alcançou cerca de R$ 1,279 trilhão, crescimento de 7,5% em 12 meses, mas recuo de 1,2% frente ao trimestre anterior.
2. Principais pressões para o desempenho
Inadimplência no agronegócio
O segmento agro é um dos mais importantes para o BB e puxou parte significativa da deterioração:
- A taxa de inadimplência (créditos vencidos há mais de 90 dias) subiu para 4,93% no 3T25, contra 4,21% no 3T24 e 3,33% no 3T23.
- O banco reconheceu que ?além do aumento da inadimplência, em especial na carteira agro, houve agravamentos em casos específicos em grandes empresas?.
- Em entrevista, a direção do banco sinalizou que espera melhora a partir do 1º trimestre de 2026, com programa de renegociação para o agro.
Aumento do custo de crédito
- No 3T25, o custo de crédito foi de cerca de R$ 17,9 bilhões, aumento de 12,7% em relação ao trimestre anterior e de 77,7% em 12 meses.
- Para todo o ano de 2025, a estimativa foi revisada para R$ 59 a 62 bilhões, frente à previsão anterior de R$ 53 a 56 bilhões.

3. Revisão de projeções para 2025
Diante do cenário desafiador, o banco atualizou suas estimativas para o ano completo:
- Lucro líquido ajustado esperado entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões, abaixo da faixa anterior de R$ 21 a 25 bilhões.
- Pitch da administração: ?2025 é um ano de ajustes? atuamos para controlar a inadimplência, gerar novos negócios e diversificar receitas, preparando o Banco para um novo ciclo de crescimento?.
4. Estratégia e perspectiva para 2026
- A CEO do banco, Tarciana Medeiros, afirmou que 2025 será de ajuste e que a retomada da rentabilidade deverá ocorrer em 2026, com foco no crédito com garantia, maior controle de risco e diversificação de receitas. l
- No agro, o programa de renegociação (por exemplo, o ?BB Regularizar Agro?) já está em andamento e deve ajudar a mudar a trajetória da inadimplência.
5. Implicações para investidores e mercado
- A reação das ações do Banco do Brasil foi negativa: após a divulgação do balanço, os papéis caíram cerca de 3% no início das negociações ? reflexo da decepção com o tombo no lucro e a menor visibilidade.
- Analistas passaram a adotar visão mais cautelosa e alertam que a recuperação provavelmente será gradual, não imediata.

6. Futuro do Banco do Brasil
Apesar de ter superado levemente as expectativas do mercado para o lucro ajustado no 3º trimestre de 2025, o Banco do Brasil enfrenta um ambiente desafiador: a forte deterioração da carteira de agronegócio, a elevação do custo de crédito e o retorno sobre o patrimônio drasticamente reduzido indicam que o banco está em uma fase de ?ajuste?. A revisão para baixo das projeções de lucro e o foco em diversificação de receitas e maior controle de risco mostram que a instituição aposta em 2026 para início da recuperação. Para investidores, é momento de acompanhar de perto a evolução da inadimplência, especialmente no agro, e os sinais de normalização da rentabilidade.
