
Quando o assunto é salário de CEO no Brasil, o Itaú roubou a cena. No levantamento mais recente sobre as empresas do Ibovespa, Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, apareceu no topo da lista de remuneração entre os principais executivos do índice, com R$ 81,73 milhões em 2024. O número impressiona, claro, mas o dado fica ainda mais interessante quando a gente entende o contexto por trás dele: desempenho financeiro forte, peso relevante no mercado e uma política de remuneração que mistura metas, variável e incentivos de longo prazo.
Para quem acompanha ações do Itaú (ITUB4), mercado financeiro brasileiro e Ibovespa, esse ranking não é só curiosidade. Ele ajuda a enxergar como grandes companhias da Bolsa recompensam liderança, resultado e execução. E, no caso do Itaú, não faltou resultado para sustentar a manchete: segundo o próprio banco, o resultado recorrente gerencial de 2024 foi de R$ 41,4 bilhões, com ROE anualizado de 22,2% e carteira de crédito total ajustada de R$ 1,359 trilhão.
O levantamento que colocou o CEO do Itaú na liderança mostra que, entre as empresas do Ibovespa, o banco ficou à frente da Prio, da Suzano, da Localiza e da Vale. No top 10 de remuneração estimada em 2024 aparecem: Itaú (R$ 81,73 mi), Prio (R$ 64,23 mi), Suzano (R$ 56,47 mi), Localiza (R$ 52,59 mi), Vale (R$ 51,81 mi), Hapvida (R$ 43,43 mi), Ambev (R$ 42,27 mi), B3 (R$ 40,95 mi), Cosan (R$ 40,70 mi) e Embraer (R$ 40,07 mi). O Itaú abriu uma vantagem de cerca de R$ 17,5 milhões sobre a segunda colocada no ranking.
Mas aqui vale um detalhe importante: quando muita gente lê ?salário do CEO?, imagina aquele valor como um contracheque fixo puro e simples. Na prática, não é bem assim. As análises sobre remuneração executiva consideram componentes como bônus por desempenho, planos de incentivo de longo prazo, remuneração variável e, em alguns casos, benefícios atrelados a ações. Ou seja, estamos falando de pacotes de remuneração estimada, e não necessariamente de dinheiro pago em linha reta, mês a mês, da mesma forma que acontece com a maioria dos trabalhadores.
Ainda assim, o crescimento chama atenção. Segundo o levantamento repercutido pelo E-Investidor, a remuneração do principal executivo do Itaú avançou 20,7% em 2024, enquanto a média de crescimento observada entre as empresas analisadas do Ibovespa ficou em 16,83%. No total, as 79 companhias consideradas desembolsaram cerca de R$ 1,35 bilhão em remuneração dos seus principais executivos no ano. Isso mostra duas coisas ao mesmo tempo: a corrida por talentos de liderança continua forte no topo do mercado e o Itaú tem sido especialmente agressivo nesse quesito.
E não é pouca coisa estar no topo de uma amostra desse tamanho. A própria B3 informa que a carteira vigente do Ibovespa reúne 85 papéis de 79 empresas, sendo o índice a principal referência do desempenho das ações mais negociadas da Bolsa brasileira. Nessa carteira, o Itaú Unibanco PN aparece entre os ativos de maior peso, com 8,421%, atrás apenas de Vale ON no recorte divulgado pela Bolsa em janeiro de 2026. Em outras palavras: o banco não é só grande em lucro e em marca, ele também tem peso real dentro do principal índice do país.
Outro ponto que deixa a história ainda mais interessante é que o fenômeno não ficou restrito a um único ano. Segundo a InfoMoney, os 20 executivos mais bem pagos das empresas do Ibovespa acumularam R$ 2,04 bilhões em remuneração estimada no triênio 2022?2024, com base em dados públicos dos formulários de referência da CVM. Isso indica que a remuneração executiva nas grandes empresas brasileiras vem se mantendo elevada e concentrada em grupos com forte escala operacional e exposição a mercados globais.
No caso do Itaú, a liderança no ranking combina bem com o momento operacional do banco. Em 2024, o grupo reportou melhora da qualidade do crédito, crescimento das receitas de serviços e seguros e expansão consistente da carteira. Além disso, anunciou distribuição total de R$ 28,7 bilhões aos acionistas referente ao resultado de 2024, reforçando o discurso de geração de valor para investidores. Para quem olha ITUB4 pela ótica de fundamentos, esse tipo de entrega ajuda a explicar por que a remuneração da alta liderança cresce junto com o desempenho.

Agora, a pergunta que realmente importa para o investidor não é só ?quanto ganha o CEO do Itaú??, mas sim: o banco está entregando resultado proporcional ao que paga? Até aqui, os números sugerem que sim. Isso não significa que o mercado vai aplaudir qualquer pacote milionário sem questionar, mas mostra que, em empresas abertas, remuneração elevada costuma andar de mãos dadas com governança, metas e pressão constante por performance. E quando o assunto é Bolsa de Valores, isso pesa bastante na leitura de longo prazo.
No fim das contas, o ranking dos maiores salários do Ibovespa serve como termômetro do mercado brasileiro. Ele revela quem está concentrando poder, resultado e responsabilidade dentro das companhias mais relevantes da Bolsa. E, pelo menos no recorte mais recente, o Itaú mostrou que continua jogando no pelotão da frente ? não só em tamanho e lucro, mas também em remuneração executiva. Para quem busca entender o comportamento das grandes empresas da B3, esse é um daqueles temas que parecem curiosidade de manchete, mas ajudam bastante a interpretar estratégia, governança e competitividade no mercado.