
São Paulo, 18 de novembro de 2025 - Uma reviravolta surpreendente no ranking de aplicativos móveis marcou esta terça-feira (18): o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) tornou-se o aplicativo mais baixado do Brasil para iPhones e iPads, desbancando apps tradicionalmente populares como ChatGPT, Gemini e Mercado Livre.

O fenômeno está diretamente relacionado à liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central nesta terça-feira (18/11) , assinada pelo presidente Gabriel Galípolo. A medida veio acompanhada da prisão do proprietário Daniel Vorcaro pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos, quando tentava deixar o país , durante a Operação Compliance Zero.
Segundo dados do Sensor Tower, o aplicativo do FGC experimentou um crescimento explosivo. Até esta segunda, o FGC sequer possuía downloads suficientes para ser posicionado no ranking brasileiro, tendo sido baixado menos de 5 mil vezes no mundo todo no mês passado AppBrain. Em questão de horas, o app ultrapassou o ChatGPT, que registrou 4,6 milhões de downloads em setembro de 2025 , e o Gemini, com 6,5 milhões de downloads em outubro .
A corrida pelos downloads do aplicativo FGC ocorre porque o app é o ponto de partida para investidores que queiram ser ressarcidos pelo fundo. Com a liquidação do Banco Master, o FGC passa a ser responsável por ressarcir os credores, respeitando o limite máximo de cobertura de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ .
O processo de pagamento através do FGC segue etapas específicas:

O processo tem prazo médio histórico de 20 a 60 dias úteis a partir da decretação da liquidação . No caso específico do Banco Master, especialistas alertam que o volume de ressarcimentos pode estender esse prazo.
O FGC garante diversos tipos de investimentos, incluindo:
O fundo permite a recuperação de até R$ 250 mil por correntista (por CPF ou CNPJ), limitados a R$ 1 milhão a cada quatro anos . Valores acima desse teto não são ressarcidos automaticamente e entram na lista de credores do banco liquidado.
O Banco Master chamava atenção do mercado por usar como estratégia a venda de CDBs com alta remuneração aos aplicadores, chegando a pagar 140% do CDI, bem acima do padrão do mercado, usando como marketing a garantia dada pelo FGC .
A investigação teve início em 2024, após o Banco Central detectar irregularidades na composição de carteiras de crédito usadas como lastro em operações financeiras . Segundo a PF, a instituição teria vendido CDBs com promessa de rendimentos até 40% acima da taxa básica de mercado, sem cumprir os pagamentos .
O fenômeno do FGC é ainda mais impressionante quando comparado aos números dos principais apps de inteligência artificial:
O FGC opera com base em normas internacionais e incorpora mecanismos de segurança, obedecendo a índices de liquidez que garantem a capacidade de atender às obrigações com os depositantes . Atualmente, o fundo cobre 99,7% de todas as contas cobertas pela garantia .
Em junho de 2025, R$ 5,2 trilhões eram elegíveis e o fundo tinha R$ 2,0 trilhões de cobertura (ou 38,7% do total) , demonstrando a robustez do sistema de proteção aos investidores brasileiros.
Mesmo sem ter investimentos em bancos em liquidação, especialistas recomendam:
Usuários relatam alguns desafios no app, conforme avaliações nas lojas:
O caso do FGC demonstra como eventos econômicos podem transformar instantaneamente o cenário de downloads de aplicativos. Enquanto apps de IA como ChatGPT e Gemini dominam consistentemente os rankings globais, situações específicas do mercado financeiro podem criar demandas urgentes e massivas por
ferramentas especializadas.
A transformação do FGC no app mais baixado do Brasil ilustra três pontos fundamentais:
O episódio serve como alerta para investidores sobre a importância de conhecer os mecanismos de proteção disponíveis e estar preparado para agir rapidamente em situações de crise bancária.