
Se você achou que o diesel voltou ao centro das atenções do nada, não foi impressão. Nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, o Ministério da Fazenda apresentou aos estados uma proposta para zerar temporariamente o ICMS sobre a importação de diesel. O objetivo é simples de entender: tentar segurar a alta do combustível, evitar problemas de abastecimento e impedir que esse custo exploda no frete, nos alimentos e em toda a cadeia de consumo.
Pela proposta, a renúncia dos estados seria de cerca de R$ 3 bilhões por mês, mas metade desse valor seria compensada pela União. Na prática, o governo federal aceitaria bancar R$ 1,5 bilhão por mês, enquanto os estados absorveriam a outra metade. A medida teria caráter temporário e, pelo desenho atual, valeria até 31 de maio de 2026.
Agora vem o ponto mais importante: isso ainda não está valendo automaticamente. A proposta foi discutida com os secretários estaduais de Fazenda, mas ainda depende de avaliação técnica e política. O tema deve voltar à mesa na próxima reunião do Confaz, marcada para 27 de março, em São Paulo. Ou seja: o mercado já está reagindo ao debate, mas a implementação ainda depende do aval dos estados.
O governo decidiu focar no diesel importado porque o Brasil ainda depende bastante dele para abastecer o mercado interno. Dados mais recentes da ANP mostram que, em janeiro de 2026, a parcela importada do diesel A representou 29,91% das vendas nacionais. Em 2024, as importações já respondiam por cerca de 25% das vendas desse combustível. Traduzindo: quando o mercado internacional esquenta, o impacto aqui dentro aparece rápido.
E foi exatamente isso que aconteceu. A escalada da crise geopolítica no Oriente Médio elevou o preço internacional do petróleo e pressionou o custo do diesel importado. Segundo o próprio governo e também a Reuters, esse descolamento entre o diesel importado e o preço doméstico ligou o alerta sobre abastecimento e sobre possíveis repasses mais pesados ao consumidor.
Antes mesmo de chamar os estados para discutir o ICMS, o governo federal já tinha anunciado, em 12 de março de 2026, um pacote emergencial para tentar aliviar a pressão sobre o diesel. Entre as medidas, estão a zeragem de PIS/Cofins sobre importação e comercialização do combustível e uma subvenção de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores. Somadas, essas duas ações têm potencial estimado de gerar um alívio de R$ 0,64 por litro ao longo da cadeia.
Além disso, a MP 1.340/2026 autorizou a concessão dessa subvenção ao diesel rodoviário, enquanto o governo reforçou que as medidas são temporárias e emergenciais, ligadas ao choque recente no mercado internacional de petróleo. Em paralelo, houve reforço na fiscalização para tentar impedir aumentos abusivos e especulativos.
Os dados da ANP ajudam a mostrar por que o governo correu. No levantamento semanal referente ao período de 8 a 14 de março de 2026, o preço médio nacional do diesel S10 foi de R$ 6,89 por litro. Na semana anterior, o mesmo indicador aparecia em R$ 6,15 por litro. Não é pouca coisa para um combustível que mexe diretamente com transporte, logística e custo de distribuição em praticamente todo o país.
Esse ponto pesa ainda mais porque o diesel é um insumo-chave para uma economia fortemente dependente do transporte rodoviário. Em outras palavras: quando o diesel sobe, não sobe só o combustível do caminhão. Sobe o custo do frete, aumenta a pressão sobre alimentos, insumos, e-commerce, indústria e varejo. Foi justamente por isso que o governo vinculou a discussão do diesel ao bolso do motorista, do caminhoneiro e, no fim da cadeia, do consumidor.

Não exatamente. A proposta pode ajudar a reduzir a pressão no curto prazo, principalmente sobre a importação, mas ela não elimina os fatores que estão por trás da alta: tensão geopolítica, petróleo internacional mais caro, câmbio e sensibilidade do abastecimento brasileiro às compras externas. O que ela faz é tentar ganhar tempo, aliviar custo e evitar que o mercado interno fique ainda mais apertado.
Outro detalhe importante: a discussão é sobre o ICMS do diesel importado, não sobre toda a tributação do diesel vendido no país. Isso significa que o efeito pode ser relevante, mas não necessariamente uniforme em todos os estados, nem instantâneo em todos os postos. O tamanho do repasse vai depender da aprovação pelos governadores, da regulamentação e do comportamento da cadeia de distribuição e revenda.
Nos próximos dias, três pontos merecem atenção. O primeiro é a decisão dos estados no Confaz. O segundo é a capacidade real dessas medidas de chegarem à bomba, sem se perderem no meio da cadeia. E o terceiro é o comportamento do petróleo no mercado internacional, porque, se o cenário externo continuar pressionado, o diesel seguirá sendo uma das maiores preocupações econômicas do momento.
Em resumo: a proposta da Fazenda de compensar estados para zerar o ICMS do diesel importado mostra que o governo quer agir rápido para evitar uma crise maior de preços e abastecimento. Mas também deixa claro que o Brasil continua vulnerável quando o diesel lá fora dispara. Para o consumidor, para o caminhoneiro e para as empresas, a mensagem é direta: o debate sobre preço do diesel, frete e inflação ainda está longe de acabar.
O ICMS do diesel já foi zerado?
Ainda não. Em 18 de março de 2026, o governo federal apresentou a proposta aos estados, mas a medida ainda depende de análise e deliberação no Confaz.
A proposta vale para todo o diesel?
Não. O foco da discussão é o ICMS sobre a importação de diesel, com validade temporária até 31 de maio, caso a medida seja aprovada.
Por que isso impacta a inflação?
Porque o diesel é essencial para o transporte de cargas. Quando ele sobe, o custo do frete aumenta e isso tende a pressionar preços em vários setores da economia.