
Se você acha que astronauta da NASA recebe um caminhão de dinheiro só por dar uma voltinha na Lua, já vale um aviso: o salário é alto, sim, mas não é aquele nível ?comprei um planeta em 12x sem juros?. A realidade é mais técnica, mais federal e bem menos Hollywood.
A boa notícia é que dá para fazer uma estimativa séria. A má notícia, para quem esperava fofoca de contracheque lunar, é que a NASA não publica o salário nominal de cada integrante da Artemis II. O que existe publicamente é a base salarial do serviço civil federal, as tabelas oficiais de 2026 e as informações da própria NASA sobre remuneração aproximada de astronautas.
Uma página pública da NASA informa que o salário de astronautas civis é baseado na tabela do serviço civil e os posiciona entre os níveis GS-12 e GS-13. Cruzando isso com a tabela oficial de 2026 para Houston-The Woodlands, área onde fica o Johnson Space Center, a faixa anual vai de US$ 103.225 a US$ 134.195 no GS-12 e de US$ 122.749 a US$ 159.575 no GS-13. Em termos mensais, isso dá algo entre US$ 8,6 mil e US$ 13,3 mil por mês, antes de impostos.
A própria NASA também traz uma referência direta: em sua página de perguntas frequentes, a agência informa US$ 152.258 por ano como remuneração aproximada de astronautas com base na tabela de 2024. Ou seja: quando você junta a informação da NASA com a tabela oficial de 2026, a conclusão mais segura é que o salário de um astronauta civil da NASA continua orbitando a faixa dos seis dígitos altos ? sem precisar inventar ?bônus lunar?.

Não dá para afirmar o valor exato de cada um. E aqui entra a parte chata, porém correta: os salários individuais da tripulação não são públicos. O que dá para estimar com confiança alta é a faixa dos astronautas civis da NASA; já a própria NASA informa que astronautas candidatos militares permanecem em serviço ativo para fins de remuneração, benefícios e licença. Em outras palavras: existe base sólida para falar de faixa salarial pública, mas não para cravar o holerite de cada pessoa da missão.
Isso importa porque a Artemis II não é uma equipe ?copiada e colada? de um único vínculo funcional. A missão reúne astronautas da NASA e também o canadense Jeremy Hansen, da Canadian Space Agency. Então, quando alguém pergunta ?quanto ganha a tripulação da Artemis II??, a resposta tecnicamente honesta é: a faixa pública dos astronautas civis da NASA é conhecida; a remuneração individual de cada tripulante, não.

A missão Artemis II tem quatro astronautas: Reid Wiseman como comandante, Victor Glover como piloto, Christina Koch como mission specialist e Jeremy Hansen, da agência espacial canadense, também como mission specialist. A NASA descreve a Artemis II como o primeiro voo tripulado do foguete SLS com a nave Orion dentro do programa Artemis.
Além do peso técnico da missão, há um componente histórico forte. A Canadian Space Agency destaca que Jeremy Hansen será o primeiro canadense a participar de uma missão ao redor da Lua, e a Artemis II é apresentada como a primeira missão tripulada à Lua desde 1972. Ou seja: não é só salário, currículo e foguete bonito. É literalmente um pedaço da história da exploração espacial sendo escrito com capacete e checklist.

Segundo a NASA, a Artemis II é uma missão de aproximadamente 10 dias, lançada em 1º de abril de 2026, com quatro tripulantes a bordo. A nave Orion faz órbitas iniciais ao redor da Terra, segue numa viagem de cerca de quatro dias até a Lua, passa pelo lado oculto e retorna em trajetória de ?free return?, aproveitando a gravidade do sistema Terra-Lua para voltar com eficiência.
A NASA também detalha que a missão leva seres humanos a mais de 230 mil milhas da Terra e até cerca de 4.600 milhas além da Lua em seu ponto máximo. Já a agência espacial canadense registrou que a tripulação superou a distância histórica da Apollo 13 e atingiu 406.773 km, tornando-se o grupo humano que viajou mais longe no espaço. Traduzindo para o português claro: é o tipo de viagem que faz avião de 14 horas parecer passeio até o mercado.
Porque astronauta é elite técnica do setor público, não celebridade paga por clique. O valor é alto em relação à média da população, mas faz sentido quando você olha o filtro de entrada, a responsabilidade operacional, o treinamento e o risco. E mesmo assim, não é um salário fora da lógica de outras carreiras muito especializadas nos Estados Unidos.
Para ter comparação, o Bureau of Labor Statistics informa que o salário mediano anual de engenheiros aeroespaciais nos EUA foi de US$ 134.830 em maio de 2024. Isso coloca a remuneração aproximada publicada pela NASA para astronautas, US$ 152.258 em 2024, acima da mediana da engenharia aeroespacial ? mas ainda dentro de uma faixa compreensível para profissões de altíssimo nível técnico. Resumindo: é um salário forte, não um cofre do Tio Patinhas em órbita baixa.
A NASA exige, hoje, cidadania americana, mestrado em área STEM, pelo menos três anos de experiência profissional relacionada após a formação ? ou, para pilotos, 1.000 horas como piloto em comando, sendo pelo menos 850 em jatos de alta performance ? além de aprovação no exame físico de voo de longa duração. A agência também deixa claro que liderança, trabalho em equipe e comunicação contam muito. Em resumo: não basta gostar de estrela e postar foto da Lua no Instagram.
E a concorrência é brutal. A NASA informa que mais de 12 mil pessoas se candidataram no ciclo de 2020 e que novas turmas costumam ser selecionadas aproximadamente a cada quatro anos. Então, quando alguém pergunta por que astronauta ganha bem, a resposta curta é simples: porque quase ninguém no planeta tem o pacote completo para fazer esse trabalho sem transformar a cabine em episódio de caos premium.

Se a meta for enriquecer o mais rápido possível, a rota provavelmente passa longe da plataforma de lançamento. Mercado financeiro, big tech e empreendedorismo escalam patrimônio com bem mais velocidade. Agora, se a pergunta for sobre prestígio, impacto histórico, ciência, exploração e fazer parte de uma missão que literalmente dá a volta na Lua, aí a conversa muda completamente.
Em outras palavras: astronauta da NASA não ganha mal. Só não ganha ?salário de ficção científica?. Ganha como um profissional raríssimo, altamente treinado, submetido a uma seleção brutal e escalado para uma das missões mais complexas do planeta. O glamour é real. O pagamento também. A fantasia é que não fecha a conta.
Pelas tabelas públicas usadas como melhor estimativa para astronautas civis, a faixa de 2026 em Houston vai de cerca de US$ 8,6 mil a US$ 13,3 mil por mês, enquanto a NASA publicou US$ 152.258 por ano como valor aproximado com base na tabela de 2024.
O valor individual de cada tripulante não é público. O que existe com segurança é a faixa pública aplicável a astronautas civis da NASA e a informação de que militares seguem regras próprias de remuneração em serviço ativo.
A tripulação é formada por Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen.
Não. A missão é um voo tripulado ao redor da Lua para validar sistemas, operações e capacidades da Orion e do SLS antes das próximas etapas do programa Artemis.
Fontes usadas na apuração: NASA, OPM, Federal Register, Canadian Space Agency, ESA e U.S. Bureau of Labor Statistics.