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Setor de ETFs no Brasil pode crescer até 10 vezes, dizem especialistas


O mercado de ETFs (fundos de índice) no Brasil ainda é pequeno, mas tem potencial para crescer bastante. Durante a ETF Week, evento realizado esta semana em São Paulo pela B3 (Bolsa de Valores), gestores e especialistas afirmaram que o valor investido em ETFs no Brasil pode aumentar até 10 vezes nos próximos anos, seguindo uma tendência que já é vista em outros países.


Como está a situação hoje?


Atualmente, os ETFs no Brasil têm entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões em investimentos, segundo a gestora de fundos XP Asset. Esse valor é bem menor do que o total investido no mundo. Até o fim de 2023, o valor global dos ETFs chegou a US$ 10,3 trilhões (cerca de R$ 55 trilhões), de acordo com o Federal Reserve, o banco central dos EUA.

O interesse por ETFs no Brasil está crescendo. Em 2018, o volume médio de negociação diária de ETFs na B3 era de cerca de R$ 300 milhões. Em 2025, esse valor já chegou a R$ 1,8 bilhão, segundo a própria Bolsa. O número de ETFs negociados passou de 20 para 150 nesse período.


Por que os ETFs podem crescer tanto?


A principal razão para o crescimento dos ETFs é a sua simplicidade. Eles são fundos que replicam a carteira de um índice específico, como o Ibovespa (o principal índice de ações do Brasil), e suas cotas são negociadas na Bolsa. Por exemplo, um ETF que replica o Ibovespa tem as mesmas ações do índice, na mesma proporção. Há também ETFs que seguem índices de renda fixa, moedas ou criptoativos.

Investir em ETFs é simples: basta abrir uma conta em uma corretora e comprar as cotas na Bolsa. Com apenas uma cota, o investidor tem acesso a uma carteira completa de ativos, sem precisar escolher cada um individualmente.


?Eu, pessoalmente, acredito que o nosso ciclo de bull market [períodos em que a Bolsa está em alta por um tempo prolongado] agora vai ser diferente do que foi em 2017 e 2021, quando muitos gestores ativos [de fundos que escolhem ativos um a um] ganharam representatividade. Acho que o mercado de fundos indexados, ETFs, ele tá muito mais preparado, para capturar esse fluxo, e provavelmente veremos evoluções não de R$ 65 bilhões para R$ 80 bilhões, vamos dobrar, triplicar, ou até multiplicar por 10. O ETF será o futuro de alocação do investidor brasileiro.?

Danilo Gabriel, sócio e gestor de portfólio da XP Asset


Outro ponto positivo é a transparência. Ao contrário de fundos tradicionais, onde os gestores tomam as decisões, nos ETFs a composição do fundo já é conhecida desde o início. Além disso, a legislação exige que todos os custos sejam claros e transparentes.


?O investidor sabe de fato quanto ele está pagando de administração, quanto ele está pagando pela licença do índice e por aí vai, é bem transparente.?

Renato Nobile, gestor e analista da gestora Buena Vista Capital


Desvantagens e cuidados ao investir em ETFs


Será que ETF vale a pena?

Embora os ETFs sejam fáceis de entender, o investidor precisa pesquisar bem antes de escolher onde investir. É importante saber quais ativos fazem parte da carteira do ETF antes de investir.

Além disso, pode não ser fácil comprar as cotas desejadas. Às vezes, pode acontecer de o número de cotas que você quer comprar não estar disponível ou o preço estar muito alto.


?Nos ETFs das ações do [índice americano] S&P 500, a liquidez é praticamente ilimitada, estamos falando de trilhões de dólares. Mas, se comprar as ações de NanoCaps Brasil, já existe um problema de liquidez de fato, porque é difícil comprar tanto a quantidade de ações quanto lidar com a baixa liquidez dessas empresas de menor capitalização. Isso é algo para tomar cuidado. A liquidez real de um ETF depende do ativo subjacente que ele replica.?

Renato Nobile


Outro ponto é que o investidor não escolhe os ativos individualmente. Isso pode ser uma desvantagem se ele quiser aplicar em estratégias específicas, como escolher empresas boas pagadoras de dividendos e excluir outras.


Os ETFs tendem a concentrar mais em ações de empresas grandes e com boa liquidez, deixando de fora empresas menores ou menos negociadas, mesmo que possam ser boas oportunidades.


?Um exemplo é o da empresa [de construção] Moura Dubeux. Ela era pequena no começo do ano, em termos de liquidez, ninguém queria. Agora que subiu para caramba, está na máxima histórica, entrou em todos os ETFs. Só que agora talvez não seja mais o momento ideal para comprar, já que o papel deixou de estar tão barato.?

Renato Reis, sócio e analista fundamentalista da Blue3