
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que Meta, TikTok, X e YouTube forneçam, em até 48 horas, os dados cadastrais dos usuários que publicaram ameaças contra o ministro Flávio Dino e o delegado Fábio Shor. A medida atende pedido da Polícia Federal (PF) no âmbito do inquérito das milícias digitais.
Essa decisão reforça a crescente vigilância institucional sobre discursos de ódio, ameaças e ataques virtuais contra autoridades, e destaca os desafios do poder público frente à impunidade digital.
Após o voto de Flávio Dino condenando o ex-presidente Jair Bolsonaro em um caso de tentativa de golpe de Estado, o ministro passou a ser alvo de inúmeros perfis nas redes sociais. Relatos apontam mais de 50 postagens contendo ameaças de ?guilhotina?, ?explosão?, ?queimar em público?, ?moer na madeira?, entre outras expressões violentas.
Em seu ofício à PF, Dino descreveu essas manifestações como ?graves ameaças contra sua vida e integridade física?, com indícios de ação orquestrada de intimidação.
Além de Dino, o delegado Fábio Shor ? responsável por conduzir parte das investigações que resultaram na condenação ? era mencionado nas postagens ameaçadoras. Em reportagem da CNN Brasil, destaca-se que tais ataques visavam constranger a atuação de agentes públicos no exercício de suas funções.
A decisão do ministro Moraes insere o caso no Inquérito 4.874, também chamado de ?inquérito das milícias digitais?, que investiga organizações digitais que promovem fake news, intimidações e incitações à violência virtual.
Moraes considerou que há indícios de que os perfis envolvidos se alinham ao objeto desse inquérito, mostrando produção, publicação e financiamento coordenados voltados contra a democracia e autoridades.

Foram oficiadas as plataformas Meta (Instagram e Facebook), TikTok, X (antigo Twitter) e YouTube, determinando que entreguem os dados cadastrais completos dos perfis que publicaram as ameaças.
O prazo estipulado é de 48 horas, sob risco de sanções, caso as empresas não apresentem as informações no prazo legal. Moraes também determinou que seja aberta investigação específica sobre as ofensas contra Dino, mesmo que já conectadas ao inquérito digital mais amplo.
Uma vez obtidos os dados, estes serão encaminhados à PF, que poderá responsabilizar criminalmente os autores das ameaças.
Essa medida destaca o papel do Estado em agir contra ameaças digitais à democracia e ao funcionamento institucional ? ponto sensível no contexto brasileiro marcado por polarização e altos níveis de desinformação.
A decisão evidencia o peso da responsabilidade das grandes plataformas em identificar conteúdo ilícito, colaborar com investigações e coibir ameaças virtuais. A imposição de prazo reforça as exigências legais que essas empresas enfrentam no Brasil.
O uso coordenado de redes sociais para intimidar autoridades configura não apenas crime individual, mas risco coletivo à liberdade institucional e à integridade dos agentes públicos. Esse caso reforça alertas sobre estratégias digitais de desestabilização.
A determinação de Moraes impõe um marco significativo no enfrentamento de ameaças e intimidações online contra autoridades brasileiras. Ao exigir que grandes plataformas revelem os autores de postagens agressivas, o STF fortalece o protagonismo da Justiça no controle da esfera digital. Resta acompanhar se as empresas atenderão ao prazo, bem como os desdobramentos jurídicos da investigação ? e se esse precedente será ampliado para casos similares.