
Um estudo inédito sobre as tarifas de "50%" anunciadas por Donald Trump ao Brasil mostra o tamanho dos efeitos negativos para a economia e a sociedade.
Conforme análise do grupo de pesquisa do Nemea-Cedeplar, da Universidade Federal de Minas Gerais, as novas tarifas previstas para começarem em "1 de agosto" podem gerar uma retração de "-0,16%" no PIB, o que representa uma perda de aproximadamente R$ 19,2 bilhões. O centro é reconhecido por desenvolver projeções de comércio internacional para importantes conselhos de multinacionais atuantes no Brasil.
Segundo o levantamento, as exportações brasileiras podem recuar R$ 52 bilhões, enquanto as importações devem ter uma baixa de R$ 33 bilhões.

O mercado de trabalho também seria fortemente atingido, com um corte estimado de "-0,21%" nos empregos, o que equivale a aproximadamente 110 mil vagas a menos.
A pesquisa mostra que os setores mais prejudicados seriam os da indústria e do agronegócio. "Os maiores impactos negativos nas exportações e produção seriam observados em setores como tratores e outras máquinas agrícolas, aeronaves, embarcações e outros equipamentos de transporte e carne de aves", diz.
"A projeção dos impactos das medidas tarifárias no emprego setorial brasileiro aponta reduções expressivas em diversos setores da economia. O setor agropecuário apresentaria a maior perda de postos de trabalho, com uma redução de cerca de 40 mil ocupações, 31 mil no comércio e 26 mil na indústria", explica.
No panorama regional, São Paulo deve sofrer o maior impacto, com perdas da ordem de R$ 4,4 bilhões. Outros estados também terão prejuízos relevantes: Rio Grande do Sul (R$ -1,9 bilhões), Paraná (R$ -1,9 bilhões), Santa Catarina (R$ -1,74 bilhões) e Minas Gerais (R$ -1,66 bilhões).

· O setor de tratores e máquinas agrícolas lidera a lista, com queda de "-23,61%" nas exportações e retração de "-1,86%" na produção.
· Aeronaves, embarcações e outros equipamentos de transporte também enfrentariam forte impacto, com redução nas exportações de "-22,33%" e na produção de "-9,19%".
· A carne suína teria uma queda de "-11,32%" nas exportações e baixa de "-3,07%" na produção.
· A carne de aves não escaparia dos efeitos, com exportações recuando "-11,31%" e produção diminuindo "-4,18%".
· Artigos têxteis para uso doméstico e outros itens do setor apresentariam recuo de "-10,33%" nas vendas externas e de "-1,15%" na produção.
· Os tecidos sofreriam queda de "-10,11%" nas exportações e de "-1,95%" na fabricação.
· Fios e fibras têxteis beneficiados teriam declínio de "-9,83%" nas exportações e de "-1,86%" na produção.
· Já os minerais metálicos não-ferrosos veriam suas exportações caírem "-6,71%", com produção encolhendo "-3,41%".
Segundo o estudo, "os choques tarifários resultariam em uma queda de -0,12% no PIB global". Além disso, "o comércio mundial também seria prejudicado, reduzido em 2,1%, equivalente a perdas na ordem de US$ 483 bilhões", apontou o levantamento. Os impactos também atingiriam a economia norte-americana, com retração de "-0,37%" no PIB, enquanto a China teria uma queda de "-0,16%" em seu produto interno bruto.
As projeções foram feitas com base em três cenários principais:
E você, investe em empresas dos setores que serão afetados?