Taxa de desemprego no Brasil permanece em patamar histórico: 5,6% no trimestre até agosto
A taxa de desemprego no Brasil se mantém em 5,6% no trimestre móvel encerrado em agosto, conforme dados mais recentes da Pnad Contínua do IBGE ? o mesmo nível já verificado no período entre maio e julho. Esse valor consolida-se como o menor já registrado na série histórica da pesquisa, iniciada em 2012.
Cenário geral: desemprego e ocupação
- O contingente de pessoas desempregadas está em cerca de 6,08 milhões, número inferior ao pico anterior do estudo.
- A população ocupada atingiu 102,4 milhões de trabalhadores, elevando a taxa de ocupação para 58,1% da população em idade ativa.
- Em relação ao mesmo período de 2024, houve um acréscimo de 1,9 milhão de pessoas empregadas.
- Comparado ao trimestre anterior, foram incorporadas mais 555 mil pessoas ao mercado de trabalho.
Esses avanços reafirmam uma trajetória positiva para o mercado de trabalho brasileiro.
A carteira assinada em destaque
Um dos elementos mais marcantes desse panorama é o recorde de trabalhadores com carteira assinada no setor privado:
- O número de celetistas (excluindo domésticos) chegou a 39,1 milhões, o maior da série histórica, com alta de 3,3% no ano.
- O total de empregados formais (no setor privado) alcançou 52,6 milhões.
- A quantidade de trabalhadores sem carteira ficou em 13,5 milhões, representando queda de 3,3% em relação ao ano anterior.
A ascensão do emprego formal indica que, em um mercado mais ?apertado? de mão de obra, as empresas tendem a oferecer condições mais favoráveis ? inclusive vínculo formal ? para atrair trabalhadores.
Setor público e trabalho autônomo
- O número de trabalhadores no setor público (aproximadamente 12,9 milhões) permaneceu estável em comparação ao trimestre anterior, mas cresceu 2,7% no comparativo anual.
- Entre os trabalhadores por conta própria, houve crescimento tanto em relação ao trimestre anterior quanto ao mesmo período de 2024.
- A taxa de informalidade atingiu 38% da população ocupada (~ 38,9 milhões).
- Dentre os informais, a categoria com maior dinamismo foi a dos que atuam por conta própria sem CNPJ, com expansão de 1,9% em relação ao trimestre até maio.
Salários e massa salarial
- O salário real habitual médio foi de R$ 3.488, superando o recorde anterior (R$ 3.377) com alta de 3,3%.
- A massa de rendimentos real habitual chegou a R$ 352,6 bilhões, novo teto histórico, impulsionada pelo aumento dos salários.
- Em relação ao trimestre até maio, o rendimento agregado aumentou 1,4%, e comparado ao ano anterior, 5,9%.
Fatores estruturais e setoriais
Segundo analistas, parte da redução no desemprego decorre de contratações temporárias especialmente na rede de ensino ? muitos contratos sem carteira e por prazo limitado ? ao longo do primeiro semestre.
Com menor disponibilidade de trabalhadores, as empresas adotam critérios mais rigorosos para recrutamento, priorizando vínculos formais e benefícios.
Além disso, a tendência de queda na informalidade aponta para uma gradual readequação da estrutura do mercado de trabalho. No entanto, 38% ainda é uma parcela alta, o que revela persistência de desafios para muitos trabalhadores.
Atualizações recentes e contexto adicional (setembro/outubro de 2025)
Emprego formal ainda registra crescimento, mas em ritmo menor
Segundo dados do Novo Caged divulgados em setembro, o Brasil criou 147.358 empregos com carteira em agosto de 2025 ? apesar disso, esse número é 38,4% menor que o saldo registrado em agosto de 2024.
No acumulado de janeiro a agosto de 2025, foram gerados 1.501.930 novos empregos formais.
Esse resultado reforça que, embora o número absoluto de contratações siga positivo, o ritmo de expansão desacelera frente ao mesmo período do ano passado.
Inflação volta a subir em meados de setembro
Enquanto o mercado de trabalho demonstra resiliência, a inflação voltou a apresentar aceleração. O índice IPCA-15 subiu 0,48% na primeira metade de setembro, impulsionado principalmente pelo aumento nos preços da habitação ? em especial energia elétrica.
No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 5,32%, situando-se acima da meta do Banco Central.
Esse ambiente de elevação de preços impõe desafios à política monetária e à manutenção do poder de compra dos trabalhadores.
Mudanças estruturais e novas fronteiras
- O Brasil se aproxima de níveis de ?pleno emprego?, com taxas recordes de formalização e redução da informalidade.
- A participação dos trabalhadores com vínculo formal chegou a cerca de 62,2% da população empregada, com a informalidade retrocedendo para 37,8%.
- Em um estudo recente, o impacto da Inteligência Artificial generativa (GenAI) sobre o trabalho no Brasil também tem sido tema de análise. O uso dessas tecnologias pode redesenhar atividades em diversos setores, com potenciais ganhos de produtividade, mas também desafios para a adaptação da força de trabalho. arxiv.org
Desigualdades persistem entre grupos sociais e regiões
Mesmo com os avanços agregados, a distribuição dos benefícios ainda é desigual:
- A taxa de desocupação entre mulheres (6,9%) segue elevada em relação à dos homens (4,8%). Agência de Notícias - IBGE+1
- Por cor/raça, brancos têm taxa menor (4,8%), enquanto pretos (7,0%) e pardos (6,4%) ficam acima da média nacional.
- No recorte por escolaridade, quem tem ensino médio incompleto registra a maior taxa de desemprego (9,4%) ? enquanto pessoas com ensino superior completo ficam em torno de 3,2%. Agência de Notícias - IBGE+1
- Quanto às unidades da federação, em 18 estados houve queda na desocupação no segundo trimestre de 2025; no Nordeste algumas das maiores taxas ainda são observadas. Agência de Notícias - IBGE+2Agência Brasil+2
Interpretações e desafios futuros
O Brasil atravessa um momento favorável no mercado de trabalho, com desemprego em níveis recordes e avanços robustos na formalização. No entanto, alguns fatores merecem atenção:
- Sustentabilidade do crescimento: o desaquecimento na criação de empregos formais e o cenário inflacionário podem dificultar a evolução positiva daqui para frente.
- Redistribuição de benefícios: é essencial que mulheres, jovens, populações negras e regiões mais pobres também participem do crescimento.
- Qualificação e adaptação tecnológica: a automação e inovações tecnológicas demandarão maior qualificação da mão de obra.
- Políticas públicas integradas: investimento em educação, saúde, infraestrutura e estímulo à formalização serão fundamentais para consolidar o avanço.
Em resumo: o Brasil vive momento historicamente favorável no mercado de trabalho ? com desemprego em 5,6% ?, mas é preciso atenção aos desafios estruturais e às fragilidades que permanecem para que esse avanço seja sólido e inclusivo.